Eleição: “Pode ou não ser polarizada, se for benéfico para os candidatos”, aponta comentarista político do RN

 


Comentarista político e sociólogo Thiago Medeiros analisa estratégias para o pleito eleitoral de 2024 no RN - Foto: reprodução

Novas eleições municipais ocorrem em 2024. Com a aproximação de um novo pleito, o panorama político pré-eleitoral em Natal está cada vez mais no foco de discussões. Em entrevista para o Jornal 91 da Rádio 91 FM, o comentarista político e sociólogo, Thiago Medeiros fez uma análise do histórico político da capital e explicou que há uma tendência em termos de polarização de não refletir diretamente os cenários nacionais.

Segundo o sociólogo, esse fenômeno, teoricamente, se deve à singularidade dos contextos locais e à dinâmica política específica da cidade, que compõe um xadrez político distinto. A possibilidade de polarização surge como um dilema estratégico para os candidatos. A decisão de trazer personagens nacionais para a campanha, uma prática conhecida como “nacionalizar a campanha”, torna-se um ponto crucial para a disputa eleitoral.

“Quando a gente puxa para o histórico, as campanhas municipais, elas não têm um histórico, teoricamente, de refletir os cenários nacionais em termos de polarização. É tanto que você busca e vai ver apoios diferentes dos partidos que, por exemplo, compõem as bases nacionais, porque são outras, está em jogo outro arcabouço, outro xadrez político. Mas eu gosto de dizer que a eleição pode ou não ser polarizada no sentido de lulismo, ou bolsonarismo, se isso for benéfico para os candidatos e quem vai tocar isso são as candidaturas. Se as candidaturas entenderem que trazer os personagens nacionais para dentro dela e, como a gente chama, nacionalizar a campanha, vão fazer. Se sentirem que isso não vai trazer voto, que não vai trazer vantagem, eles não acham que mantêm para fora”, explicou Medeiros.

As bases partidárias, mesmo aquelas vinculadas a estruturas nacionais, mostram apoios diversos em âmbito municipal, evidenciando um arcabouço político local único. A questão central reside na avaliação criteriosa que as candidaturas farão sobre a eficácia da polarização em seu favor.

Para Thiago Medeiros, a deputada federal Natália Bonavides (PT), representante da esquerda, exemplifica essa dicotomia. A possibilidade de contar com o apoio de Lula, bem avaliado nas pesquisas, é considerada uma estratégia “fantástica”, conforme o comentarista político. Contudo, o desafio está em definir qual “Lula” será trazido para a campanha: “Agora, qual Lula que ela traz? É o Lula que vai polarizar e brigar com Bolsonaro ou é esse Lula que está na cabeça do Potiguar, do centro, da centro-esquerda, de uma esquerda? Então, qual é essas figuras que eles vão trazer do nacional? É nesse clima da polarização ou se eles vão encontrar outro meio de trazê-los?”

No campo da direita, a fragmentação em Natal é evidente, de acordo com Medeiros acompanha a direita do Rio Grande do Norte há bastante tempo. Um exemplo é a pré-candidatura de Paulinho Freire, apoiada pelo Partido Liberal (PL), que não encontra consenso entre membros mais radicais, como o General Girão, evidenciando as rachaduras internas. Durante a entrevista, o comentarista político ressalta a resistência dentro da direita, especialmente entre os apoiadores mais alinhados ao bolsonarismo. A busca por um nome que represente efetivamente a direita na sucessão municipal é um desafio que pode impactar a performance deste espectro nas eleições.

“É normal e natural essa divisão dentro da direita. Sempre foi assim, nessa parte mais extrema-direita, bolsonarista, ela nunca foi muito unida. Talvez só naquele momento, para a eleição de Girão, para deputado federal, lá em 2018, na onda bolsonarista. Depois que ele se elegeu, a gente já via as rupturas e fragmentos acontecendo. E isso não vai deixar de acontecer”, ressaltou.

A estratégia pragmática do senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e presidente do PL no RN, também foi destacada pelo comentarista durante sua participação no Jornal 91. Marinho busca apostar em candidaturas que, em sua visão, apresentam maior viabilidade eleitoral, evidenciando uma abordagem pragmática diante das divisões internas na direita local, conforme o sociólogo.

“São fragmentados dentro de uma composição de potencial de voto não tão grande, por isso que muitas vezes eles não conseguem os resultados, inclusive perdendo cadeiras para vereador. Quando você vai para um Rogério Marinho, por exemplo, no caso de Girão e Gonçalves hoje, que está em um partido que tem um presidente, gosta ou não de Rogério, ele é o presidente do PL e tem força, tem comando. É o líder da oposição no Senado Federal, colocado como uma voz dessa extrema-direita, embora, eu diga mais, Rogério para o campo da política local, ele é pragmático. Acho que ele olha onde tem chance realmente de vencer, como os outros candidatos do próprio PL e dessa extrema-direita não se mostraram viáveis, ele está apostando em outra candidatura que teoricamente ele vê mais viabilidade”, afirmou.

“Ainda temos que olhar para o presente”

Perguntado sobre o que esperar dos potiguares nas eleições, Thiago Medeiros indicou que existem dois caminhos. Um caminho do que de fato talvez a sociedade queira e o que acontece quando começa o processo eleitoral. Segundo o comentarista, nem sempre os candidatos que a população quer ou deseja vão para o pleito, já que existem os filtros e as triagens feitas dentro dos partidos. Isso porque um candidato precisa não só pontuar bem na pesquisa, mas também da viabilidade política, ou seja, que o partido queira que seja candidato e construa as coligações, a rede de apoio.

“Às vezes, você não vai ter o candidato que realmente uma cidade deseja para resolver os seus problemas, mas que a classe política, por assim dizer, escolheu. Então, o que a sociedade norte-rio-grandense como um todo quer para os seus municípios é alguém que resolva os problemas. Infelizmente, a gente tem algumas cidades em outros estados, inclusive, que olham para o futuro. E eu acho que a gente está tendo que olhar ainda para o presente. A gente ainda não conseguiu resolver vários problemas”, enfatizou.

O sociólogo ainda citou a recente mensagem do atual prefeito Álvaro Dias da Capital feita na última quinta-feira 16 na Câmara Municipal de Natal que abordou as dificuldades persistentes no sistema de transporte público de Natal, incluindo pendências relacionadas a licitações.

“Ele fala: ‘o problema não é meu, eu estou tentando resolver, vou conseguir resolver’. Mas ainda não conseguimos, basta a gente ver como a gente está olhando ainda para uma questão do presente, que irá projetar, por exemplo, Natal ainda para frente. Embora deva ser o slogan de muita gente, essa coisa de projetar o futuro faz parte, mas a gente ainda tem muita coisa para resolver no presente”, finalizou.

fonte: AGORA RN

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